GE(ne)RA(liza)ÇÕES

Fonte da Imagem: ABRH
Fonte da Imagem: ABRH

Geração x, y, z… Um campo de estudo comum às ciências sociais, hoje lembra mais uma equação matemática do que um postulado de uma área de humanas! E de fato, são tantas as incógnitas que rondam o tema das Gerações que quase podemos traçar um paralelo com um problema de lógica, onde x está para “Trabalhe duro!”, assim como y está para “Pega leve!”. ;)

Difícil? Então comecemos pelo começo:

O início das classificações

Até bem pouco tempo atrás uma geração era definida a cada 25 anos, tempo suficiente para se atingir a idade (re)produtiva e se passar o bastão da “nova era” para os recém-nascidos. Atualmente, porém, a intensidade das mudanças parece ter acelerado essa transição. Tanta coisa acontece no período de um quarto de século que não faz mais sentido determinar que seja necessário todo este tempo para que uma nova classe genealógica se diferencie da anterior, constituindo uma nova geração. Hoje os especialistas indicam que uma nova geração se instaura a cada 10 anos apenas. Ou seja, num mundo marcado pela volatilidade de conhecimentos e valores, a cada década os comportamentos e aspirações mudam tão radicalmente que já não se identificam (ou são identificados) com o grupo anterior, demandando uma nova identidade coletiva.

A justificativa é que enquanto separar grupos de pessoas por idade ou renda exige constantes atualizações (já que a cada ano ou aumento salarial a pessoa mudaria de grupo), a classificação por Gerações promete se mostrar mais abrangente e relativamente constante, pois mesmo com o passar de alguns anos ela permaneceria praticamente com o mesmo conjunto de valores, preceitos e comportamentos, mantendo suas denominações como grupo, independente de mudanças pessoais específicas.

Por outro lado, embora amplamente utilizadas, em especial no mundo empresarial, as classificações por Gerações não são bem aceitas em todas as áreas do conhecimento. Na verdade, boa parte do material que se encontra a respeito deste tema é resultado de produções independentes, geralmente publicadas em mídias eletrônicas não científicas e com pouca base de pesquisa acadêmica — isto é, conteúdos generalistas, rasos e informais, seguindo a tendência das próprias gerações que se propõe desvendar… ;)

É no campo organizacional, das relações econômicas e de trabalho privadas, que melhor identificamos a prevalência desta classificação e das diferenças geracionais. No modelo trabalhista atual, em que se tem pelo menos 30 a 40 anos de vida produtiva, pessoas de diferentes idades e costumes convivem em um mesmo ambiente de trabalho, trocando experiências e gerenciando conflitos inerentes às mudanças que ocorrem em períodos cada vez menores.

Em uma pesquisa realizada pela TRID — Trabalho e Identidade, pedimos que pessoas de diferentes idades, classes sociais e realidades trabalhistas escolhessem uma frase/dito popular que melhor representasse sua visão sobre a vida e o trabalho. Cada alternativa se relacionava com os valores, hábitos e comportamentos de uma geração:

a) Deus ajuda quem cedo madruga (Baby Boomers)

b) Quem planta, colhe (Geração X)

c) Quem sabe faz a hora, não espera acontecer (Geração Y)

d) Meu destino sou eu quem traça (Geração Z)

e) Se não for divertido, não vale a pena (final da Geração Z/próxima tendência)

Eis o resultado, obtido através de mais de 100 respostas:

a) 2,50% (Baby Boomers)

b) 30,25% (Geração X)

c) 27,75% (Geração Y)

d) 27,25% (Geração Z)

e) 12,25% (final da Geração Z/próxima tendência)

À primeira vista, parece apenas um dado demográfico, que evidencia que a população da pesquisa da TRID é constituída por uma minoria com 50 anos ou mais; a maior parte é formada por profissionais já com experiência e que têm entre 30 e 49 anos; e uma parcela significativa de jovens com até 20 e poucos anos.

Nada fora do esperado para o público de uma Consultoria de Carreira que atua com adolescentes, universitários e profissionais em transição de carreira.

Mas uma análise mais aprofundada revela surpresas! Na realidade a população se apresentou como apenas 7% de adolescentes às vésperas do vestibular (final da Geração Z), 16% de universitários e recém-formados (início da Geração Z) e 77% de profissionais com experiência (Gerações Y, X e Baby Boomers), ou seja, tivemos adultos respondendo que se identificam com a visão de mundo típica de adolescentes e o contrário também!

Ao cruzarmos os dados de faixa etária e gerações, vemos garotos de 18 anos respondendo como um senhor de 45, vemos um pai de 60 anos se posicionando como alguém de 30 e poucos, um professor de 33 afirmando o mesmo que seus alunos de 16 afirmariam e outro jovem profissional, também com 33 anos, proliferando as ideias que seriam mais esperadas para seus avós…

Pois bem, antes de continuarmos a discutir as implicações da classificação por Gerações e o impacto que estas têm sobre o ambiente de trabalho e a carreira das pessoas envolvidas, vamos entender melhor as diferenças entre cada uma das Gerações que estão hoje na ativa:

A Geração Baby Boomer

Atribui-se o surgimento da Geração Baby Boomer ao fim da Segunda Guerra Mundial, ou seja, pessoas nascidas entre os anos 40 e início dos anos 60. O termo em inglês “Baby Boomer” pode ser traduzido livremente para o português como “explosão de bebês”, fenômeno social ocorrido nos Estados Unidos no final da Segunda Guerra, ocasião em que os soldados voltaram para suas casas e conceberam filhos em uma mesma época. Hoje, estas pessoas estão com 50 anos ou mais e se caracterizam por gostarem de uma vida estável:

A escolha de um curso ou emprego era para a vida toda e aqueles com mais prática eram mais valorizados, inclusive no papel de mestres para os que estavam começando. No trabalho, seus valores estão fortemente embasados no tempo de serviço, e preferem ser reconhecidos pela sua experiência do que pela sua capacidade de inovação. Os Boomers têm ou tiveram empregos fixos e longevos, estabelecem rotinas com facilidade e valorizam a fidelidade aos empregadores e colegas de serviço. Viram o nascimento da tecnologia, mas tinham pouco acesso a ela. Nessa geração a vida profissional e pessoal simplesmente não eram misturadas — o trabalho tinha hora para começar, acabar e nunca era levado para casa. A rotina era intensa e os sacrifícios eram muitos, mas a recompensa era considerada certa — mesmo que demorasse uma eternidade para se alcançar o status desejado, seja profissional ou financeiro, tinha-se a certeza de que “Deus ajuda quem cedo madruga”.

Politica e socialmente, são identificados com a cultura “Hippie”, como precursores da era “paz e amor”, pois tinham aversão aos conflitos armados que marcaram as gerações anteriores. Veneram a música, as artes e todas as outras formas de cultura como instrumentos para afirmação e evolução humana.

As pessoas da geração Baby Boomer, se ainda não se aposentaram, em sua maioria ocupam hoje os cargos de diretoria e gerência nas empresas. Por exercerem funções de chefia, e muitas vezes em nível estratégico, chocam-se diretamente com as gerações mais jovens no que diz respeito aos seus ideais, o que ocasiona um contraste de comportamento e valores considerável.

A Geração X

Nascida em meados da década de 60 e estendendo-se até o final dos anos 70, essa geração vivenciou no Brasil acontecimentos como o fim da ditadura, as campanhas das “Diretas Já” e os avanços da modernidade e do capitalismo. Enquanto a geração anterior tinha acesso restrito às novidades tecnológicas, a Geração X surge já habituada ao liberalismo econômico e fazendo uso generalizado da tecnologia. Confiantes, extrovertidos e extremamente competitivos tinham como definição de sucesso “ser rico ainda jovem”.

A Geração X também é relacionada com o termo “Yuppie”, uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se aos jovens profissionais que entravam no mercado de trabalho nos anos 80 e 90, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os Yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda, comportamento social e tecnologia.

A Geração X, hoje com cerca de 36 a 49 anos de idade, redefiniu a relação entre trabalho e recompensa: um cargo e um salário que antes demorariam anos para serem alcançados, podiam ser conquistados por esforço individual, de forma desvinculada do tempo de serviço. Para se alcançar isso era preciso criar as melhores oportunidades, assim, o expediente foi expandido até o happy hour e ser workaholic se tornou algo admirável. Instaurava-se a meritocracia como valor social, pessoas de todas as classes socioeconômicas espelhavam-se em ícones de crescimento autônomo, que fizeram fortuna a partir do zero, proliferando-se a crença de que todos podiam alcançar seus objetivos, bastava esforçar-se, já que era o indivíduo o responsável por si mesmo, ou, como no dito popular: “Quem planta, colhe”.

Essa mentalidade calcada na individualidade do sujeito, porém, trouxe frutos amargos no meio da farta colheita. No ambiente profissional atual, atribui-se à Geração X um certo desdém em relação a tudo que é diferente, uma resistência tanto aos ideais coletivistas da geração anterior quanto à mudança de paradigma que as novas gerações instauram (que apresentarei logo abaixo). Os “Xs” se vêem como autossuficientes e modernos e não entendem porque “mexer em time que está ganhando”. Mas por traz desta aparente arrogância, deixam transparecer a insegurança em perder seus empregos para pessoas mais novas e com mais energia.

A Geração Y

Nasce então na década de 80 a Geração Y, ou Millennials (aqueles que entram para a vida produtiva na virada do milênio), que em pouco tempo de vida já presenciaram os maiores avanços na tecnologia e diversas quebras de paradigma no mercado de trabalho. Este ambiente tão instável e repleto de inovações propicia à Geração Y apresentar características como capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, que, em tese, não atrapalham os seus afazeres profissionais. Com interesses múltiplos e atenção difusa, essa geração também apresenta um desejo constante por novas experiências, o que no trabalho resulta em querer desafios crescentes e uma ascensão rápida, que a promova de cargos em períodos relativamente curtos e de maneira contínua. Mas mais do que o status proveniente de um cargo de chefia, o ideal de realização desta geração é inovar, criar algo que impacte o jeito das pessoas fazerem as coisas, por isso, não raro, eles são ou pensam em ser empreendedores. O lema da canção “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” representa bem esta característica.

Com a velocidade com que estão conectados com o mundo, os Millennialsnão se estimulam com projetos a longo prazo. São ansiosos e querem tudo pra ontem. Eles se interessam por trocar conhecimento, independentemente de idade ou formação, tratando todos de igual para igual — mesmo porque têm toda a informação de que precisam na palma da mão, em seus muitos gadgets. As formas alternativas de aprendizado também são valorizadas — títulos e diplomas, tão importantes para a Geração X, já não são fatores imprescindíveis para esta turma.

Mobilidade, espaços compartilhados, homeoffices e a possibilidade de criar seu próprio horário são características que fazem com que o trabalho esteja sempre presente, em todos os lugares e a qualquer momento. Millennialstambém são desapegados e podem trocar de direção com rapidez — o importante é viver melhor o presente sem ter a ilusão de que o futuro pode ser controlado.

De forma geral, os “Ys” acham mais importante curtir o caminho do que chegar ao destino final. É o prazer que determina a realização profissional e o grande truque é saber detectar as oportunidades nas quais é possível combinar paixão e trabalho. Fazer o que ama e ganhar dinheiro com isso é o sonho destes jovens (nem tão jovens assim — a Geração Y está hoje com 25 a 35 anos de idade).

Sempre conectados, os Millennials também estão constantemente compartilhando com o mundo aquilo que estão fazendo, o tempo todo e em qualquer lugar — o que os garantiu o título de geração mais egocêntrica em artigo da revista Times chamado “The Me Me Me Generation”, que podemos traduzir como “A Geração Eu Eu Eu”, mas também brinca com a sonoridade de “A Geração Mimimi”.

Quando pensam nos seus objetivos de carreira, os Millennials mostram-se hoje tão interessados em saber como as empresas desenvolvem as suas pessoas e contribuem para a sociedade, quanto nos produtos e lucros que estas empresas apresentam. Essa é uma geração que busca e escolhe uma empresa a partir do propósito que ela difunde. Essa expectativa de plena identificação com os valores de uma companhia recorrentemente é motivo de crise e frustração, que leva hoje boa parte da Geração Y a rever carreiras, mudar constantemente de emprego, tentar empreender e buscar processos de Coaching, Mindfullness, dentre tantos outros métodos da vez para lidar com uma insistente sensação de insatisfação e falta de lugar.

A Geração Z

Os jovens nascidos a partir de meados dos anos noventa formam o conjunto da Geração Z, ou Geração Zapping, ou ainda, Nativos Digitais. Estes ainda não estão propriamente inseridos no mercado de trabalho, mas já são motivo de reflexão por conta do seu comportamento individualista e de certa forma antissocial.

Eles não conheceram o mundo sem internet, não diferenciam a vida online da offline e querem tudo para agora. São críticos, dinâmicos, exigentes, determinados, autodidatas, não gostam das hierarquias nem de horários poucos flexíveis.

A Geração Z é contemporânea a uma realidade 100% conectada à Internet, em que os valores familiares, como sentar-se à mesa e conversar com os pais, não são tão expressivos quanto os contatos virtuais estabelecidos pelos jovens na Web. A vida é para eles um grande mural (ou uma grande timeline), cheio de recortes que mudam constantemente, em uma enxurrada de flashes — como se estivéssemos zapeando (mudando o canal da tv) sem parar. Vai-se da internet para o telefone, do telefone para o vídeo e retorna-se novamente à internet com total naturalidade. O que não for online, não for postado, passa como se não tivesse acontecido. Consequentemente, também se troca de uma visão de mundo para outra, na vida, com a mesma facilidade. O conceito de mundo que possuem é desapegado das fronteiras geográficas. Para eles, a globalização não foi um valor adquirido no meio da vida a um custo elevado, aprenderam a conviver com ela já na infância. Adaptar é preciso e os “Zs” levam isso às últimas consequências.

Formada pelos que ainda não saíram da escola e ainda não decidiram a profissão a ser exercida no futuro ou estão entrando na vida universitária agora, a Geração Z também se destaca por sua egocentricidade. Os Nativos Digitais apresentam um perfil ainda mais imediatista e autorreferente: querem tudo para agora, não se identificam com o conceito de hierarquia e não têm paciência com os outros (em especial os mais velhos, quando estes precisam de ajuda com algum equipamento eletrônico), preferindo fazer sozinhos, do seu próprio jeito, do que alinhar-se com alguém com uma linha de pensamento diferente ou menos dinâmica. Clamam por liberdade e autonomia, mas não querem responsabilizar-se pelas consequências de suas ações no outro, olhando apenas para si mesmos ao afirmar “Meu destino sou eu quem traça”.

Esse tipo de atitude sugere que tais jovens terão sérios problemas no mercado de trabalho, quando serão exigidas habilidades para se trabalhar em equipe. O trabalho coletivo demanda respeito e tolerância, virtudes em escassez nos jovens com menos de 25 anos da Geração Z. Enquanto as demais gerações buscam adquirir informação, o desafio que se apresenta à Geração Z é de outra natureza, já que informação não lhes falta. Aliás, em função disso, há uma tendência a que sejam futuros profissionais com abordagem mais generalista e não especialistas como almejavam seus antecessores. O que os Nativos Digitais precisam aprender é selecionar, filtrar e separar “o joio do trigo”. E esse desafio não se resolve acessando o Google com a melhor conexão 4G. A solução chama-se discernimento e só vem com a maturidade. O problema é: eles têm tempo para isso?!

Os nascidos neste milênio não querem abrir mão do seu tempo livre. Não consideram que trabalhar muito e ficar no escritório horas depois do fim do expediente seja gratificante. Além disso, eles preferem trabalhar de casa.

E pelo que se prevê, estes jovens não irão se submeter a condições de trabalho que não os satisfaçam. Eles são questionadores e sabem o que querem, o que pode passar a impressão de petulância. Diferentemente da Geração X, que aceita as regras do jogo do mercado de trabalho, e da Geração Y, que finge que aceita, a Geração Z desafia as normas preestabelecidas e possui bons argumentos, o que pode indicar que toda essa assertividade ainda vai levá-los a ser os chefes das gerações anteriores em poucos anos.

Pesquisas mostram que os Nativos Digitais são menos motivados por dinheiro que a Geração Y e têm ainda mais ambições empreendedoras. A pró-atividade com relação aos meios digitais também leva muitos a desejarem ter sua própria startup. Ser Blogueiro ou Youtuber são os novos ideais de vida, substituindo o antigo sonho de ser Ator, Músico ou Jogador de futebol das realidades passadas. O trabalho para eles precisa ser uma extensão da casa e “se não for divertido, não vale a pena”, ou seja, a relação com o trabalho precisa ser naturalmente prazerosa. Utopia ou não, certamente esta visão da vida laboral vem mudar de forma definitiva as instituições produtivas e a maneira como projetamos e nos relacionamos com o mundo do trabalho.

Encontro (ou conflito) de Gerações

Estes quatro grupos, tão diferentes entre si, como pudemos ver, convivem hoje nos ambientes familiares, acadêmicos e de trabalho, evidenciando suas dissonâncias e gerando encontros que, na sua maioria, têm uma conotação conflituosa:

Enquanto os Boomers e os Xs preferem tranquilidade, os Ys e os Zs querem movimento; os Ys desejam inovar a qualquer custo, já os Xs valorizam a estabilidade e o equilíbrio; os Boomers não aceitam com naturalidade um comando imposto por uma pessoa mais nova, já que hierarquia é um valor importante, já os Zs acham morosas demais as decisões dos mais velhos.

Garotas e garotos da Geração Z, em sua maioria, nunca conceberam o planeta sem computador, chats, telefone celular. Por isso, são menos deslumbrados que os da Geração Y com chips, gadgets e joysticks. Diferentemente da Geração Y, os nativos digitais não têm em mente o lema “work hard, play hard” (algo como “trabalhe duro, mas divirta-se com a mesma intensidade”) O jargão sempre foi usado pelos jovens Ys que se esforçavam muito no trabalho para ganhar bem e ter tudo que desejavam. Os Ys cresceram ouvindo dos Boomers e dos Xs que “primeiro vem a obrigação, depois a diversão” e por isso em geral valorizam o enriquecer e gastam com audácia e poucos limites, enquanto que grande parte dos Zs prefere economizar.

Essas diferenças se relacionam diretamente com o momento histórico que cada geração vivenciou. As gerações anteriores cresceram nos prósperos anos pós-guerra, em um momento de economia forte e a atual cresceu com o fantasma do terrorismo, alta complexidade das relações políticas e econômicas e grande volatilidade financeira e cultural. Sua maneira de pensar foi influenciada desde o berço pelo mundo complexo e veloz que a tecnologia engendrou.

A chegada de uma nova geração ao meio organizacional causa certos impactos por conta das características peculiares desses jovens e vai sempre exigir que as empresas se adaptem e apliquem novas práticas para atrair e reter esses profissionais.

Gestores das gerações Baby Boomer ou X têm dificuldade para contratar e desenvolver funcionários das gerações Y e Z, mas educam seus filhos sob os valores vigentes nessa era digital, global e líquida. Chamam os estagiários de inquietos, ansiosos e impacientes, mas incentivam seus rebentos a fazerem natação, futebol, balé, inglês, espanhol, chinês, música, teatro, a viajar, a comer bem, a questionar antes de aceitar, a se conhecer e fazer terapia…

Talvez essas distâncias entre uma e outra geração possa ser minimizada quando pudermos perceber o quão intrínseco em nós estão os hábitos que projetamos nos outros.

Gerações ou Generalizações?

Disso tudo deduzimos que os tais conflitos geracionais, tão (mal) falados no mundo educacional e organizacional, refletem os conflitos internos que vivemos em nossa intimidade, com a família, amigos e com nós mesmos.

Quando criticamos a pressa e a falta de foco de um aluno, filho ou estagiário, por vezes estamos criticando nossa própria ansiedade e dispersão.

A formação da identidade de uma pessoa é muito mais complexa do que a somatória das influências que ela recebe. Somos muitos, em um só!

Por isso é concebível agirmos baseados em preceitos opostos de acordo com as situações que vivemos. Por isso valorizamos atitudes discrepantes em casa e no trabalho. Por isso nos identificamos hora com um, hora com outro grupo de pessoas, hora com uma, hora com outra geração.

A classificação por gerações é uma compilação generalizada de comportamentos, atitudes, valores e concepções e não dá conta da singularidade estrutural de cada um de nós. Quantas ge(ne)ra(liza)ções estão contidas nas definições das gerações X, Y, Z?!

Então, da próxima vez que você for se referir a “eles” (assim mesmo, de forma indeterminada, generalizada), pergunte a si mesmo antes: Quanto de mim mesmo enxergo neste balaio para o qual estou apontando?

E se quiser ajuda nesta reflexão, aqui vai o link de um teste (destes bem bobinhos mesmo, só de brincadeira): How Millennial are you? (“O quão Geração Y você é?”). Seja você mais velho ou mais novo, aposto que você vai se surpreender! ;)

http://www.pewresearch.org/quiz/how-millennial-are-you/results/

[Infelizmente só achei o teste em inglês… :( Peça ajuda dos universitários mais próximos caso seja um idioma não familiar para você! ;) ]

Marina Bergamaschi é sócia-fundadora da TRID — Trabalho e Identidade, empresa especializada em Orientação Profissional e de Carreira. Estudou Psicologia, Licenciatura e Especialização em Orientação Profissional e de Carreira, todos na USP. Atuou em consultório particular, escola, hospitais, consultorias e empresas nacionais e internacionais. A vivência clínica em terapia Junguiana e Coaching e a experiência organizacional em Recursos Humanos, proporcionaram um olhar humanista que se uniu à paixão por escrever para criar este e outros textos.

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