Projeto Profissional: o que não pode faltar em um planejamento de carreira

Fonte desconhecida
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Pensar no futuro e na realização de sonhos para a vida, passa, necessariamente, por algum esforço de organização. Para simplificar, vamos pensar em uma viagem. Qualquer pessoa que vá viajar vai se fazer as seguintes perguntas, que precisam ser minimamente respondidas para que o sonho não vire pesadelo: Quando pretendo viajar? Quanto vou gastar para isso? O quanto tenho que economizar e durante quanto tempo? Irei sozinho? Quem eu quero que me acompanhe estará disponível na mesma data que eu? Qual será o roteiro? Que experiências faço questão de viver?

Quando migramos para a vida profissional e tentamos fazer o planejamento de nossos sonhos nesta área, as mesmas perguntas se aplicam, salvas as devidas proporções. É possível fazer um planejamento de uma única experiência de trabalho ou um projeto que preveja sucessões de experiências desejadas.

Neste ponto, faço uma pausa para destacar o que estamos querendo dizer quando falamos de um projeto profissional. Como de costume, vamos ao dicionário(1):

Projeto | pro·je·to | sm

1 Propósito de executar algo. 2 Plano detalhado de um empreendimento a ser realizado. 3 Conjunto de ideias iniciais de um texto, geralmente provisórias. 4 Esboço de trabalho que se pretende realizar:

Propósito de executar, plano de um empreendimento a ser realizado, ideias provisórias, esboço de um trabalho. Como é possível perceber, um projeto profissional tem o objetivo de amparar e organizar minimamente os recursos, investimentos e desejos relacionados à carreira em algo que sirva como “guia de viagem”. Fazer um projeto profissional não é sinônimo de saber exatamente o que você vai encontrar em cada experiência que consta no papel; significa preparar-se para enfrentar o elemento surpresa que certamente vai se apresentar.

Algo como, por exemplo, descobrir que aquela foto que você sonhou em tirar ao lado daquela escultura famosa não vai rolar, porque a praça onde ela fica está em restauração e fechada para visitação por tempo indeterminado. Um guia de viagem, por mais detalhista que seja, nunca conseguirá dar conta dos eventos que são imprevisíveis. O mesmo vale para um projeto profissional: não é possível prever tudo, por mais que você detalhe, programe e pesquise.

Mas se tudo pode mudar, o que faz diferença no momento de planejar a vida profissional?

Em primeiro lugar, esteja preparado para negociar sucessivamente aquilo que é super importante para você e que você pretende imprimir no mundo (um ambiente de trabalho x, um salário y, uma atividade z, uma vida com qualidade, contribuir com a sociedade, ganhar muito dinheiro, criar, etc) com aquilo que vai estar disponível no mundo real e concreto do ambiente social em que você pretende executar seu projeto (família, amigxs, empresas, companheirxs, dentre outros), assim como o prazo em que deseja que estes sonhos saiam do papel. É uma negociação constante entre a liberdade de imprimir seus desejos no mundo e a segurança de tê-los acolhidos com os ajustes necessários.

Posto isso, vamos à mensagem principal deste texto. O que acreditamos fazer diferença no momento de criar um projeto profissional é ter clareza do que você não está disposto a negociar/mudar. Ao eleger o que não pode ficar de fora, você ganha flexibilidade para fazer correções de rota e se posicionar diante das diversas experiências que vão surgir. Isso significa que você tem algum referencial, algo como uma bússola interna, que vai te permitir tomar decisões e fazer escolhas que te aproximem do seu ideal de projeto profissional.

Um exercício interessante para dar os primeiros passos nesta definição é conhecer sua âncora de carreira (clique no link). O objetivo do questionário é incentivar a reflexão sobre áreas de competência, objetivos profissionais e valores(2). Não recomendamos que o questionário seja preenchido por quem ainda não deu seus primeiros passos no mundo do trabalho. Explicamos: uma âncora de carreira não é algo pré-determinado e que será revelado; pelo contrário, ela se define na sua relação com as experiências laborais. Segundo o autor, “este questionário por si só não revelará seus pontos de referência profissionais, pois é provável que suas respostas não sejam imparciais.” (p.13).

Dedicar-se a esta reflexão pode ajuda-lo a antecipar potenciais problemas no momento de realizar suas escolhas ao longo de sua trajetória. Numa época em que vivemos a síndrome do “homo optionis”, acredite, isso faz diferença: “a todo instante o indivíduo é posto diante de um imenso leque de novas opções e a sua capacidade de se tornar consciente de suas potencialidades exige uma constante reflexão que não encontra tempo suficiente para ocorrer”(3).

As mudanças, ambivalências e incoerências fazem parte da experiência de viver. Amar envolve riscos. Isso não é diferente quando falamos de trabalho. Invista sua energia em acolher esta ideia e cuidar de estar preparado para responder ética e responsavelmente às surpresas.

Bom trabalho!

Adriana Ricci é sócia-fundadora da TRID- Trabalho e Identidade. Psicóloga especializada em Orientação Profissional e de Carreira pela USP, Coach pela SBC e Psicanalista pelo IPLA. Possui sólida experiência em Recursos Humanos, sempre ligada aos processos de vanguarda em desenvolvimento e gestão de pessoas de grandes empresas multinacionais, além de atendimento particular em orientação profissional e de carreira e psicanálise.

Referências usadas neste texto:

(1) http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=PROJETO

(2) SCHEIN, Edgar. Identidade profissional. São Paulo: Nobel, 1996

(3) BECK, U.; BECK-GERNSHEIM, E., 2002 citado por Sewaybricker, Luciano Espósito. A felicidade na sociedade contemporânea: contraste entre diferentes perspectivas filosóficas e a Modernidade Líquida / Luciano Espósito Sewaybricker; orientador Sigmar Malvezzi. — São Paulo, 2012.

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