Escolher é saber negociar

Imagem: avidaacontecesuperacao
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 Escolhemos todos os dias, a partir da relação com nossas possibilidades e impossibilidades, inclusive quando dizemos não termos escolha. Escolhemos desde a quantidade de açúcar no café, levantar ou não para trabalhar, casar, aceitar aquela oferta de emprego ou investir numa profissão. Às vezes isso é tarefa fácil, tão fácil que a fazemos no automático e às vezes não. Tomamos um bom tempo até que elas sejam realizadas (quando são): lidamos a dúvida quando há muita oferta, com a angústia quando não há quase nenhuma, com a impossibilidade de fazer como e o que queremos e, com as renúncias e consequências que cada escolha implica.

A clareza do que se deseja e do que é importante para si é fundamental, assim como ter consciência dos seus limites também, sejam eles físicos, técnicos, financeiros e/ou sociais. Infelizmente, a ideia “querer é poder” nem sempre se aplica e se não temos consciência daquilo que nos limita, permanecemos paralisados: ficamos sem poder desenvolver recursos para transpor nossos obstáculos ou insistimos nas nossas impossibilidades. Sim, temos impossibilidades (em muitos casos, mais do que possibilidades) e elas tornam o ato de escolher uma tarefa mais complexa do que, simplesmente, eleger a opção que leva à realização do próprio desejo. Na maioria das vezes, nossas escolhas são o resultado da negociação entre o que queremos (desejo), o que podemos (limites) e o que aceitamos (valores). Como exemplo, podemos citar os diversos casos em que pessoas escolhem por um curso na área da saúde, como enfermagem ou psicologia, devido à falta de recursos para pagar uma faculdade de medicina ou quando adiam as cartas de demissão devido à falta de um emprego substituto.

O autoconhecimento é peça chave para ser habilidoso com suas escolhas: é preciso refletir onde deseja chegar, o que espera alcançar, saber o que se aceita e se tolera como também o que se permite abrir mão, renunciar. Nossos desejos e escolhas não são peças separadas, eles formam uma rede em que as partes estão conectadas e se afetam diretamente. Dentre as nossas escolhas, muitas são coerentes com parte de nossos desejos e conflitantes com outros ao mesmo tempo. Decidir por um doutorado na França possivelmente é renunciar a uma rotina próxima à família. Optar por um cargo mais estimulante pode ser também ter que dedicar mais tempo e energia no trabalho e abdicar das horas na academia. Escolher cursar uma boa faculdade pública certamente implicará em abrir mão do lazer para estudar. Assim como não abrir mão do salário que recebe pode significar permanecer no trabalho que você diz odiar. Dentre todas as consequências subjacentes às suas possíveis escolhas, quais você escolhe ou tolera? Nem sempre é fácil achar uma resposta.

Não é fácil eleger uma opção, não é fácil renunciar às tantas outras e não é fácil também ter que se relacionar com a incerteza. Tem mais essa: você pode refletir, ponderar, planejar e mesmo assim o resultado sair ao avesso de tudo que imaginou. A vida não dá garantias: você pode ficar satisfeito, ter sucesso com a sua escolha, mas pode também não ter tudo ou nada do que planejou e ser obrigado a lidar com a frustração. Lidar com ela, inclusive, faz parte da habilidade de escolher (e de viver).

É fato que nos deparamos com dificuldades diante de algumas escolhas que precisamos fazer na vida, não é? Escolher requer trabalho; desde o princípio, com a tarefa de se conhecer, de reconhecer o que se quer, o que não se quer, o que lhe é importante, de investigar e explorar as possibilidades existentes, de criar recursos para transpor as dificuldades ou de aceitar as impossibilidades, de negociar, de realizar e de lidar com as incertezas inerentes. Alguns desistem e levam a vida com a maré, outros se desesperam e procuram a resposta em oráculos, outros tomam para si o desejo, os limites e escrevem a sua própria história. Nesse caso, estamos aqui para te ajudar.

  

Camila M Fabre é psicóloga formada pela UNESP, com Aperfeiçoamento em Orientação Profissional e de Carreira pela USP e especialização em Psicologia Transpessoal pela ALUBRAT. Iniciou sua carreira na área de Recursos Humanos. Hoje atua como psicoterapeuta e orientadora profissional e de carreira sendo também sócia-fundadora da TRID — Trabalho e Identidade. Desenvolve um trabalho sensível, aliando técnicas corporais, artísticas e lúdicas, sempre considerando o desenvolvimento integral do ser humano.

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