Chega uma hora que chega

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Qual é o momento certo para fazer uma mudança profissional? Invariavelmente, cada um de nós sabe.

A angústia, palavra que comporta um sem fim de sentimentos que ainda não encontraram nome melhor, costuma ser um bom indicativo e motor para uma série de mudanças, inclusive a profissional. A tolerância a ela e o que se faz enquanto ela é companheira cativa, no entanto, é o que parece ser diferente de pessoa para pessoa e parece determinar o tempo levado na decisão de se dedicar a uma mudança.

Do lado de cá, deste dos profissionais prontos para inventar soluções em conjunto com quem nos procura, tenho a certeza de que não há muito o que fazer para acelerar este tempo, mas sempre fica o convite. Esta predisposição, mesmo que tímida, é um ponto fundamental para o trabalho de criar novas saídas para uma vida profissional inadequada à singularidade daquele que busca ajuda.

Falemos desses deliciosos tempos diferentes. Vou beber um pouco na psicanálise para tentar iluminar o ponto e te convidar, leitor, a se localizar no processo. Vamos pensar em três momentos: um instante de olhar, um momento de compreender e um momento de concluir. Explico. Diante do desconforto com sua situação profissional atual, você provavelmente terá um momento de “plim”, quando reconhece que as coisas não podem ficar como estão. Está pesado, está ruim, não está gostoso. Este seria o instante de olhar: avaliar em volta e perceber que uma mudança seria muito bem vinda. Há quem procure ajuda neste ponto: basta este instante do plim para começar a agir.

Na sequência vem o momento de compreender, também variável. Típico de quem vai analisar as possibilidades, tentar compreender a insatisfação, achar justificativas (às vezes na atividade, às vezes na empresa, às vezes na formação, às vezes num futuro imaginado ao qual o momento presente não vai levar). Depois de entender um monte de coisas, você vai se dar conta de que não basta entender. Há quem procure ajuda neste momento: antes de agir, preciso entender e explorar.

O ponto alto é o último momento citado, o momento de concluir. Também há quem procure ajuda aqui. Geralmente vêm de longas e várias tentativas de mudança que não aplacaram a angústia. Pessoas que chegam num estado que chamo de falência — uma falência de um modo de funcionar: “Tentei tudo e nada deu certo”, “Não sei mais o que fazer” ou “Chega uma hora que chega”, nome escolhido para nosso título.

É um ponto de basta que move para a mudança. Um ponto que pode ser um evento específico, uma sensação diferente, um esgotamento de alguma coisa que vinha funcionando para você. Um ponto de corte numa sucessão de eventos (que se passaram dentro e fora de você) é exatamente o que abre espaço para qualquer pessoa inventar uma saída nova para a situação em que se encontra. Há quem chegue aqui e volte ao início — são os que persistem na forma como vieram fazendo as coisas, tomando as decisões e desconfiam de que “comeram bola” em algum pedaço do processo. Vão fazer tudo de novo até esgotar todo tipo de paliativo. É um exercício de invenção. Bacana e corajoso, mas nem sempre eficaz.

A forma como você sai da angústia e quanto tempo permanece aí dizem bastante sobre sua forma de ser — são expressões da sua singularidade. Problema nenhum nisso.

Experiência pessoal, para mim foram necessários 3 anos para inventar o desfecho que eu queria. Espero sinceramente que você seja mais rapidinho :D

Meu ponto de basta foi cansar de me ouvir reclamando. A bola estava comigo. Tinha que chutar para o gol. Com riscos envolvidos e sem toda a certeza que eu esperava alcançar antes de me movimentar. Aqui vamos de Freud (supostamente, mas, se não for, vale mesmo assim): Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda.

E por falar em viver, vitalidade é um aspecto importante para observar na vida. Anda com tesão? Tesão pela vida, inclusive para resolver os problemas e dilemas nossos de cada dia? Fica a dica. E não dedique muito do seu tempo aí nessa passagem meio brochada. Não fique muito tempo nos bastidores da cena da sua vida.

Tá! Muito bonito. Mas você deve querer saber o que acontece depois deste tempo de concluir. É onde queremos chegar em um processo de Orientação Profissional e de Carreira. Depois deste tempo de concluir, a receita é recordar, não repetir, elaborar, decidir e fazer acontecer. Mas como assim? Vou fazer sem uma garantia? Vou fazer sem ter certeza de que vai dar certo? Não. Você vai chegar numa certeza possível, uma certeza provisória que vai ter permitir agir diferente.

Voltando ao meu exemplo, funcionou um pouco assim: Como eu soube que o que eu estava fazendo era o que eu queria? Porque sabia. Simples assim. Sem maiores explicações, que descobri que foram necessárias só enquanto eu me preparava. Depois, não mais. Nem me lembrava mais de todas as razões que havia criado para fazer a minha mudança. E olha, vamos combinar: Nem tudo se explica. (Que bom!) Agir na dúvida é necessário. Se movimentar é necessário. Saber se movimentar na dúvida é uma condição indispensável para nossos dias contemporâneos.

Se você chegou no seu momento “Chega uma hora que chega” — a propósito, vi esta frase num cartaz do AA num metrô — estamos de plantão para te receber no seu ponto de basta aqui na Trid! Vem! E vem com medo mesmo. E com dúvida também. Afinal, como diz o arquiteto-poeta Niemeyer , a vida é um sopro, não é mesmo?

Adriana Ricci é sócia-fundadora da TRID- Trabalho e Identidade. Psicóloga especializada em Orientação Profissional e de Carreira pela USP, Coach pela SBC e Psicanalista pelo IPLA. Possui sólida experiência em Recursos Humanos, sempre ligada aos processos de vanguarda em desenvolvimento e gestão de pessoas de grandes empresas multinacionais, além de atendimento particular em orientação profissional e de carreira e psicanálise.

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