Dia de vestibular: vá com medo, mas vá!

Imagem: Palavras do Exp
Imagem: Palavras do Exp

No último dia 29 foi dada a largada da maratona de Vestibulares. O primeiro final de semana foi do ENEM, o segundo foi Unesp, no último Unicamp e no próximo será Fuvest. Como toda maratona, este é um verdadeiro teste de resistência e exige tática, resiliência, controle emocional, conhecimento, além de uma dose de sorte.

Existem diferentes maneiras de encarar o vestibular: há quem vá despretensioso, ou por considerá-lo mais uma oportunidade dentre outras, ou por se considerar, de antemão, carta fora do baralho. Há quem o considere a maior batalha da vida, há quem vá confiante, outros, inseguros, mas quase ninguém passa ileso, ao menos, ao friozinho na barriga. Há quem estudou o ano todo, fez 984657 exercícios, mais um tanto de simulados, criou estratégias para a prova, largou a balada, o namoro, o passeio com os amigos. Há quem fez o avesso. E há quem equilibrou essas coisas todas.

Independentemente do quanto e de como se preparou, a verdade mais difícil de ser encarada por um vestibulando é que não há nada que garanta a aprovação antes do resultado oficial ser publicado, geralmente alguns meses depois da prova. O vestibular, por mais que tenha atributos que se repitam ano a ano, sempre é um mistério. Vejo por aí, as mais esquisitas estratégias, criadas com o intuito de apaziguar a ansiedade e o medo que a imprevisibilidade deste momento causa. Outro dia soube de um estudante que seguia to-das as instruções dadas pelo cursinho, fazia to-dos os exercícios de to-das apostilas acreditando que tal obediência lhe traria garantias.

Lógico que conhecimento, equilíbrio emocional, estratégias, disposição e experiência são recursos que aumentam as possibilidades de um bom desempenho e de sucesso nesta competição, mas mesmo em boas doses, eles continuam sem o poder de assegurar o sucesso final de fato.

Ao contrário do desejo de muitos, não existe um passo-a-passo certo: tem quem passe no vestibular com dois, um ou nenhum ano de cursinho; tem quem passe sacrificando toda a vida social; tem quem passe saindo com os amigos nos finais de semana; tem quem passe estando super nervoso e com dor de cabeça no dia da prova. Não tem uma regra. Ser aprovado na prova inclui a soma de sucessos em diversas circunstâncias.

Por isso, o meu conselho é: vá! Vá fazer a prova com tudo que você tiver: conhecimento, treino, estratégias, expectativas, medo, dor de cabeça, dor de barriga e sono. Se não tiver jeito, vá com o pensamento de que não vai passar, vá achando que não estudou o suficiente (a maioria acha isso), vá virado sem dormir, vá correndo achando que não vai chegar, mas vá. Não deixe de ir.

Muita gente espera e exige que dia de vestibular esteja que nem o mar em calmaria. Qualquer turbulência é logo entendida como sinal de mau presságio: “vai dar tudo errado”. Pára, né?! Salvo raras exceções, dia de vestibular não é que nem dia de almoço na casa da vó. Ele é Aquele dia, anunciado a você, no mínimo, desde o momento em que colocou seus pezinhos no ensino médio. É carregado de expectativas e pressões vindas de todos os lados, de dentro e de fora de você. Difícil não se abalar, mesmo que minimamente, com ele!

Acredite, se exigir menos deste dia fica mais fácil lidar com as eventuais surpresas que possam aparecer. Exigir menos quer dizer aceitar que o medo, nervosismo, pensamentos negativos, dores de cabeça e de barriga possam fazer parte deste momento. Observe: uma das coisas que faz esses monstrinhos ficarem grandes além da conta é a energia que você investe neles enquanto fica repetindo para si próprio que eles não podem vir no dia da prova ou quando, diante deles, se dá por derrotado dizendo que “agora ferrou tudo”.

Procure descansar no dia que antecede a prova, faça algo divertido com outras pessoas, se distraia, se organize, acorde com antecedência para se preparar e ir para o local da prova com calma… RES-PI-RE, mas caso algo saia do previsto ou os tais monstrinhos resolvam aparecer, evite brigar com eles. Óbvio, não precisa alimentá-los, mas também não precisa brigar para que vão embora. Se insistirem em ficar, vá para a prova com eles. Apesar de perturbarem, lembre-se de que é você quem os leva e não o contrário.

Lidar bem com o vestibular é também lidar bem com a incerteza. A imprevisibilidade que está nele, está em todos aspectos da nossa vida. Ela causa ansiedade pois nos coloca diante da ausência de controle, diante do medo de não realizar nossos planos, mas ela também nos coloca diante de um desconhecido que pode guardar muitas outras possibilidades além das que você enxerga hoje e que também podem te surpreender… positivamente.

Boa prova!

 

Camila M Fabre é psicóloga formada pela UNESP, com Aperfeiçoamento em Orientação Profissional e de Carreira pela USP e especialização em Psicologia Transpessoal pela ALUBRAT. Iniciou sua carreira na área de Recursos Humanos. Hoje atua como psicoterapeuta e orientadora profissional e de carreira sendo também sócia-fundadora da TRID — Trabalho e Identidade. Desenvolve um trabalho sensível, aliando técnicas corporais, artísticas e lúdicas, sempre considerando o desenvolvimento integral do ser humano.

Write a comment

Comments: 2
  • #1

    Paulo nunes (Saturday, 26 November 2016 07:02)

    Muito obrigado pelas orientacoes. Abordou temas tensos e dificeis, mas de forma tranquilizadora.

  • #2

    TRID - Trabalho e Identidade (Monday, 28 November 2016 09:01)

    Olá, Paulo, ficamos contentes em saber que o artigo tenha te ajudado. Conte conosco! ;)

Receba conteúdo exclusivo

 

(11) 9 5057-9410

 

Alphaville | Berrini | Granja Viana

Higienópolis | Pinheiros | Vila Madalena

São Paulo - SP

 

Empresa registrada no CRP/SP: 06/5671/J