O segredo do sucesso (se é que existe!)

Fonte da Imagem: http://bit.ly/1rxUqUq
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Ter um cargo relevante, ter muito dinheiro, influenciar pessoas, passar a vida viajando, encontrar aquilo que você ama e ganhar dinheiro com isso, estar ao lado das pessoas queridas, criar um negócio a partir de uma ideia que ninguém teve antes. Fartas são as fontes que falam de sucesso com estes símbolos mencionados. Todas têm algo em comum: pretendem ensiná-lx a alcançar o tal sucesso. Já aviso: esta não é minha proposta. Vamos além…

Objeto de desejo de meio mundo ou mais, pote de ouro no final do arco-íris para muitxs, motivador corriqueiro nesse nosso mundão, destino de oferendas e sacrifícios de uma vida toda, estamos falando de um Sucesso. Do latim successus, quer dizer avanço, seguimento, resultado propício.

Vem de succedere, onde -cedere quer dizer “ir, mover-se, deslocar-se”. (1) Percebe-se então que o sentido compartilhado de sucesso é aquele de algo em direção ao qual me movo. Em nossa cultura, acrescente algo pelo qual me movo com esforço e dedicação, fé, pensamento positivo, crença na abundância e mais uma lista de atributos que você pode escolher a depender de sua filosofia de vida. Temos em nossa cultura um conceito meritocrático (e falso) de sucesso — o sucesso alheio desce redondo quando precedido por uma história de sacrifício e dedicação. O meu sucesso é mais tranquilamente explicado aos outros por minha dedicação e esforço. Há um quê de admiração pelo sacrifício. Há uma crítica ferrenha a quem aparentemente “nasceu com a bunda virada para a lua” e acessou esses símbolos de sucesso sem se identificar com a canção dos Beatles “…and I’ve been working like a dog” (2).

Parando para pensar, é simples: se ele se dedicou e alcançou o sucesso, posso acreditar que se me dedicar também alcançarei. Democrático, não?

Não. Errou. Errou porque democrático seria termos tantos ‘símbolos’ de sucesso quanto pessoas no mundo. Ao contrário disso, temos milhares de pessoas correndo atrás de um único referencial de sucesso. Logo, tornar o sucesso democrático está mais nas suas mãos do que você pode imaginar.

Quando dizemos que alcançamos o êxito em algo que nos propomos a fazer, nos aproximamos de um sucesso. Êxito é achar a saída de um problema, dificuldade ou necessidade. Vem do latim: exitus, que quer dizer sair ou saída.(3) Queridx leitor — vou te contar agora o segredo do sucesso.

O segredo do sucesso é saber ser sozinho e saber ser ridículo, temporariamente.

Explico. Quem tem necessidade de alcançar o sucesso (aquele lá do início), encontra uma saída quando finalmente o alcança. Há quem sinta um vazio mortificante neste momento, pois a busca acabou. Vide as muitas histórias “de sucesso” de quem largou o emprego numa multinacional para uma vida com mais propósito.

Esvaziado o sentido de sucesso que acompanhou a pessoa por muito tempo, já que ela o encontrou, faz-se necessário encontrar outro sentido para perseguir e tocar a vida. A fonte de onde tirei a última citação(3) dá uma provocadinha que achei interessante: morrer é também alcançar êxito, visto que é sair deste mundo — “é bom estarmos preparados para este sucesso”.

Saber ser sozinho porque quando você obtém êxito, você sai. Sai do senso comum, se diferencia, deixa de ser igual, se destaca. O famoso pensar fora da caixa não é para qualquer um. É só para quem não está super apegado à caixa. É para quem imagina que outras caixas são possíveis. Tem quem ame a caixa e faz de tudo para ficar ali no conforto da caixinha. Tudo bem.

Saber ser ridículo porque, quando você sai (do senso comum, do mesmo jeito de fazer) pode ser (e a probabilidade é alta) que as pessoas não entendam lá muito o que você está querendo dizer ou fazer. Você vai ser chamado de louco (e pode ser que esteja ficando mesmo — consulte um médico de confiança, por via das dúvidas :-D — por falar em dúvidas, te garanto que você estará cheio delas). Pode ser que dê certo. Pode ser que não. É arriscado. E tudo bem.

No final, quando algum feito é bem sucedido, ele é compartilhado. Pode ganhar aplausos, pode ganhar silêncio, pode ganhar recriminação. Mas em todos estes casos, pedimos lá um ok dos outros para nos certificarmos se é sucesso ou não é. Pedimos uma validação dos outros para aquilo que foi feito. Pois é. A gente é assim. Difícil de imaginar? Pense no que você posta nas redes sociais e no porque de existir o botão “Like”. Vamos de música: “é impossível ser feliz sozinho”! (4) Isso nos custa um bocado de tempo e energia.

Mas vamos lá: você pode incluir os outros na sua história de duas formas aqui. Uma é correndo atrás daquilo que dizem por aí que é sucesso, sem se dar ao trabalho de questionar se você concorda ou não com isso. Para quem está confortável assim, pouco tenho a oferecer.

Outra é se arriscando a apresentar para os outros aquilo que você pode chamar de um sucesso (dentre vários possíveis) para você. Testar um ingrediente novo na receita da família para a ceia de Natal (muito arriscado!), mudar a forma de fazer um processo na empresa em que você trabalha, errar a mão na cola e ver surgir o Post-it, ser reconhecido por pintar relógios como ninguém mais pensou em representar (estou me referindo ao dono da ilustração do texto, Picasso), inventar um novo estilo musical, inventar um aparelho que as pessoas comandam com as pontas dos dedos, inventar um lugar em que as pessoas possam compartilhar seus instantes, inventar um sentido de sucesso para você e se sentir mais vivo do que nunca.

Para você que não está confortável com a primeira forma que mencionei ou que “curtiu” a segunda forma que mencionei, tenho algo a oferecer e espero que este texto já tenha sido uma boa provocação. Um brinde à sua disposição para ser ridículo e para ser sozinho — para não ser igual, enfim, para ser você!

Adriana Ricci é sócia-fundadora da TRID- Trabalho e Identidade. Psicóloga especializada em Orientação Profissional e de Carreira pela USP, Coach pela SBC e Psicanalista pelo IPLA. Possui sólida experiência em Recursos Humanos, sempre ligada aos processos de vanguarda em desenvolvimento e gestão de pessoas de grandes empresas multinacionais, além de atendimento particular em orientação profissional e de carreira e psicanálise.


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